quarta-feira, 20 de maio de 2026

Diálogos Pedagógicos Educação Infantil · Formação · Episódio 2

Sustentação e manuseio: quando o corpo do bebê é o primeiro currículo
Série Winnicott
Postagem 2 de 4

Sustentação e manuseio:
quando o corpo do bebê é o primeiro currículo

Dois conceitos de Winnicott que mudam para sempre a forma de olhar para os momentos de cuidado na creche.

Na postagem anterior, deixei uma pergunta no ar: e se o colo for o currículo?

Não era uma provocação retórica. Era o fio que nos leva até Donald Winnicott — e até dois conceitos que, uma vez compreendidos, mudam definitivamente a forma de olhar para o que acontece num berçário.

Hoje vamos conversar sobre sustentação e manuseio. Dois conceitos simples na superfície, profundos no que revelam.

Uma teoria que começa no corpo

Winnicott era pediatra antes de ser psicanalista. Isso não é detalhe: é o que faz sua teoria tão visceralmente ligada ao concreto, ao físico, ao que se vê e se toca. Ele observou bebês. Muitos bebês. E percebeu algo que parecia óbvio mas que ninguém havia formulado com tanta precisão: o desenvolvimento emocional de um ser humano começa no corpo — e depende da qualidade dos cuidados corporais que recebe.

Para Winnicott, o bebê muito pequeno ainda não tem um eu organizado. Ele existe em estado de não integração — fragmentos de sensação, de impulso, de experiência, sem ainda uma noção de si mesmo como ser unificado. É o ambiente — e especificamente a pessoa que cuida — que vai, aos poucos, possibilitando que esses fragmentos se integrem numa identidade coesa.

Esse processo de integração, que é simultaneamente físico e psíquico, depende de duas condições fundamentais: ser bem sustentado e ser bem manuseado.


Sustentação: muito mais do que segurar

A sustentação — holding, no original em inglês — é o conceito mais conhecido da obra de Winnicott, e também o mais frequentemente reduzido à sua dimensão mais literal: segurar o bebê no colo.

Mas Winnicott foi muito mais longe. Para ele, a sustentação é o conjunto de condições que o ambiente oferece para que o bebê possa existir sem ser perturbado de forma insuportável. Ela é física — a forma como os braços acolhem, a firmeza que transmite segurança, a posição que respeita a fragilidade do corpo. Mas é também emocional, relacional e até temporal: a previsibilidade da rotina, a presença constante de alguém que responde, a capacidade do cuidador de antecipar necessidades antes que o bebê precise romper em desespero.

Uma sustentação suficientemente boa — para usar a expressão que Winnicott preferiu ao perfeita — é aquela que não exige do bebê mais do que ele é capaz de suportar. Ela permite que ele exista no mundo sem ser continuamente invadido por angústias intoleráveis.

Quando a sustentação falha, ocorre o que Winnicott chamou de falha ambiental. Não um trauma necessariamente, mas uma interrupção no processo de integração. O bebê precisa reagir antes que possa simplesmente ser.

Cena observada · Berçário I · setembro de 2024

Netuno se apoiou na porta do fraldário fechada e batia para que fosse aberta, porque a professora havia entrado para trocar outro bebê sem avisá-lo. Mesmo não andando, locomovia-se com agilidade. Aquela porta fechada era, para ele, uma ruptura na continuidade da presença. A angústia era real e visível.

Cena observada · Berçário I · setembro de 2024

Saturno — sonolento e resistente ao sono — foi cuidadosamente ninado no colo até adormecer, e só então transferido com delicadeza para a almofada. A transição foi suave o suficiente para que ele não precisasse despertar para se defender.

Duas cenas. Uma sustentação que falha — a porta fechada sem aviso — e uma sustentação que funciona — o sono preservado até o fim. Winnicott reconheceria as duas imediatamente.


Manuseio: o corpo aprendendo que existe

O manuseio — handling — é o segundo conceito, e talvez o menos discutido fora dos círculos da psicanálise winnicottiana. É a forma como o corpo do bebê é tocado, movimentado, higienizado, alimentado, vestido — toda a gestão física do cuidado cotidiano.

Para Winnicott, a qualidade do manuseio tem implicações diretas sobre algo que ele chamou de personalização: o processo pelo qual o bebê começa a habitar seu próprio corpo, a sentir que a psique e o soma são uma coisa só. Um bebê bem manuseado — tocado com atenção, movimentado com cuidado, higienizado com presença — vai construindo, através dessas experiências repetidas, uma relação de familiaridade e confiança com o próprio corpo. Um bebê mal manuseado — tocado de forma mecânica, apressada, sem olhar — pode desenvolver uma relação de estranhamento consigo mesmo.

É precisamente aqui que a cena da troca de fraldas ganha todo o seu peso teórico.

Nos meus registros, descrevi como inicialmente havia observado as trocas sem registrá-las — como se fossem um intervalo entre as atividades pedagógicas.

Cena observada · Berçário I · setembro de 2024

Durante as trocas, as professoras conversavam com os bebês, faziam carinhos na barriga, mostravam o pé, nomeavam outras partes dos corpos — de modo que a troca era um momento de atenção individual para cada bebê.

Winnicott chamaria isso de manuseio suficientemente bom. Cada troca era uma experiência de ser tocada com cuidado, de ter o próprio corpo reconhecido e nomeado, de existir no olhar de alguém que estava completamente presente. Não era tarefa. Era relação.


Por que isso importa para o registro pedagógico

Se sustentação e manuseio são dimensões fundamentais do desenvolvimento do bebê — e a teoria winnicottiana, respaldada pelos documentos que orientam a Educação Infantil brasileira, afirma que são — então eles precisam aparecer nos registros pedagógicos.

Diretrizes Curriculares Nacionais para a Educação Infantil

As práticas pedagógicas devem garantir experiências que promovam o conhecimento de si e do mundo por meio da ampliação de experiências sensoriais, expressivas, corporais.

O Currículo da Cidade de São Paulo reafirma que o desenvolvimento integral pressupõe a indissociabilidade entre cuidar e educar — e que os momentos de cuidado são, em si mesmos, oportunidades de aprendizagem e desenvolvimento.

Mas se esses momentos não aparecem nos registros, eles não existem para a reflexão pedagógica. Não alimentam o planejamento. Não entram na avaliação. Não são devolvidos às famílias. Não são reconhecidos como parte do trabalho docente.

E assim o professor continua, dia após dia, fazendo o que Winnicott descreveu — sustentando, manuseando, integrando — sem saber que está fazendo. Sem poder refletir sobre como está fazendo. Sem poder fazer melhor.

"

A professora está na mesma posição de importância ou necessidade daquele que cuida de um bebê. A pessoa que cuida do bebê, e a professora não menos que ela, está disponível para receber o gesto espontâneo de amor dele.

Donald W. Winnicott · Processos de amadurecimento e ambiente facilitador (2022, p. 97)

Estar presente de verdade. É isso que a sustentação e o manuseio exigem. E é isso que, quando acontece, transforma um momento de troca de fralda em algo que contribui para a formação de um ser humano.

Para refletir

Da próxima vez que você observar — ou realizar — um momento de cuidado com um bebê, pergunte-se: como estou tocando esse corpo? Com que qualidade de presença?

E o que esse momento, se registrado, poderia revelar sobre a prática pedagógica desta turma?

Este texto faz parte de uma série sobre cuidar, educar e o que a teoria do amadurecimento de Donald Winnicott pode nos revelar sobre a prática pedagógica com bebês e crianças pequenas.

Referências

BRASIL. Diretrizes Curriculares Nacionais para a Educação Infantil. Brasília: MEC/SEB, 2010.

FONSECA, Leides Daiana Freitas. A teoria do amadurecimento de Donald Winnicott e suas implicações na prática pedagógica com bebês. 2025. 120 f. Dissertação (Programa de Pós-Graduação Profissional em Gestão e Práticas Educacionais) – Universidade Nove de Julho, São Paulo. Disponível em: bibliotecatede.uninove.br

SÃO PAULO (Município). Secretaria Municipal de Educação. Coordenadoria Pedagógica. Currículo da Cidade: Educação Infantil. 2. ed. São Paulo: SME/COPED, 2022.

WINNICOTT, D. W. Processos de amadurecimento e ambiente facilitador: estudos sobre a teoria do desenvolvimento emocional. São Paulo: Ubu Editora, 2022.

sexta-feira, 15 de maio de 2026

Diálogos Pedagógicos Educação Infantil · Formação · Episódio 1

Cuidar e educar: duas palavras, uma só prática

Cuidar e educar:
duas palavras, uma só prática

O que acontece nos momentos de colo, troca e acolhimento revela muito mais do que imaginamos sobre a prática pedagógica com bebês.

Era uma manhã de setembro. Terra havia ficado alguns dias em casa doente e voltava ao CEI naquele dia. Chegou no colo da mãe, que a segurava com aquela firmeza de quem não quer largar. Ao perceber o movimento de entrada, agarrou-se ainda mais — braços enrolados no pescoço da mãe, rosto enterrado em seu ombro. A mãe, igualmente hesitante, sentou-se no banco da entrada e ficou ali, conversando baixinho com a filha, como se pudesse adiar o momento da separação.

Foram necessários tempo, paciência e muita conversa para que a funcionária conseguisse convencer a mãe a deixar a bebê. Quando Terra foi levada para dentro, ainda chorava. Ficou por um longo período no colo da professora — e só então, devagar, foi se acalmando e voltando a explorar o mundo ao seu redor.

Essa cena, que observei durante minha pesquisa de mestrado em um Centro de Educação Infantil da rede municipal de São Paulo, raramente apareceria em um diário de bordo. Não porque não tenha acontecido — aconteceu, e foi um dos momentos mais intensos da manhã. Mas porque, de alguma forma, ainda não aprendemos a reconhecer esses momentos como pedagógicos.

E é exatamente sobre isso que quero conversar.

A separação que a história deixou

Durante décadas, o atendimento a bebês e crianças pequenas no Brasil esteve dividido entre dois mundos distintos: as creches, vinculadas à Secretaria de Assistência Social, voltadas para o cuidado de filhos de mães trabalhadoras; e as pré-escolas, vinculadas à Secretaria de Educação, voltadas para a preparação para a alfabetização. Eram instituições com origens, financiamentos e concepções diferentes — e essa divisão deixou marcas profundas na forma como ainda hoje compreendemos o que é "trabalho de professor" e o que é "trabalho de cuidador".

A Constituição Federal de 1988 e, depois, a Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional de 1996 reorganizaram esse campo, estabelecendo a Educação Infantil como primeira etapa da Educação Básica.

Diretrizes Curriculares Nacionais para a Educação Infantil

As práticas pedagógicas devem considerar que educar e cuidar são dimensões complementares, inseparáveis e indissociáveis — não é possível pensar em uma sem a outra.

O Currículo da Cidade de São Paulo, publicado em 2019 e reeditado em 2022, reafirma esse princípio ao propor uma pedagogia que considera o bebê e a criança como sujeitos inteiros — que aprendem, se desenvolvem e constroem conhecimento também nos momentos de alimentação, higiene, acolhimento e sono.

Mas documentos não mudam concepções automaticamente. E é aqui que mora o desafio.


O que fica de fora do registro

Na mesma pesquisa em que observei a cena de Terra, fui acompanhando ao longo de semanas a rotina do berçário. Em uma das observações, registrei algo que me chamou atenção justamente por ter demorado para que eu mesma percebesse: "hoje observei mais atentamente os momentos de trocas, que já vinha observando, mas não havia registrado."

O que estava acontecendo naquelas trocas de fraldas? As professoras conversavam com os bebês enquanto trocavam, faziam carinhos na barriga, mostravam o pé, nomeavam partes do corpo. Um momento que poderia ser tratado como tarefa — rápido, funcional, higiênico — era, na prática, um momento de atenção individual, de vínculo, de linguagem, de descoberta do próprio corpo.

Educação acontecendo. Mas sem ser nomeada como tal.

Se observar esse momento por semanas foi necessário para que eu — pesquisadora, com esse olhar específico — percebesse o que havia ali, o que dizer do professor que vive esse momento todos os dias, imerso em dezenas de outras demandas simultâneas? E o que dizer do registro pedagógico que, ao final do dia, silencia sobre tudo isso e descreve apenas a atividade de colagem das dez horas?

Esse silêncio não é descuido. É concepção. Quando registramos apenas o que planejamos, estamos dizendo que só aquilo conta como educação.

Que o cuidado, o vínculo, o acolhimento pertencem a uma dimensão menor da prática docente. Necessária, mas não propriamente pedagógica.


E se o colo for o currículo?

Voltemos a Terra. Quando ela finalmente se acalmou no colo da professora e voltou a explorar o mundo, o que havia acontecido? Ela havia sido sustentada — no sentido mais concreto e mais profundo da palavra. Alguém a segurou, ofereceu presença, permitiu que ela reorganizasse seu estado interno o suficiente para voltar a existir no mundo com alguma segurança.

Isso é cuidado. E é, ao mesmo tempo, profundamente educativo.

Há um pediatra e psicanalista inglês chamado Donald Winnicott que passou a vida inteira estudando exatamente o que acontece nesses momentos que costumamos considerar "apenas cuidado". O que ele descobriu — e o que trouxe para o centro da minha pesquisa de mestrado — muda radicalmente a forma de olhar para tudo que acontece num berçário.

Mas isso é conversa para o próximo texto.

Para refletir

Da próxima vez que estiver diante de um momento de cuidado — uma troca, uma refeição, um acolhimento na chegada — pergunte-se: o que essa criança está aprendendo agora? O que esse adulto está ensinando, mesmo sem saber que está ensinando?

E, se você for professor ou coordenador: esse momento aparece no seu registro?

Este texto é o primeiro de uma série sobre cuidar, educar e o que a teoria do amadurecimento de Donald Winnicott pode nos revelar sobre a prática pedagógica com bebês e crianças pequenas.

Referências

BRASIL. Diretrizes Curriculares Nacionais para a Educação Infantil. Brasília: MEC/SEB, 2010.

FONSECA, Leides Daiana Freitas. A teoria do amadurecimento de Donald Winnicott e suas implicações na prática pedagógica com bebês. 2025. 120 f. Dissertação (Programa de Pós-Graduação Profissional em Gestão e Práticas Educacionais) – Universidade Nove de Julho, São Paulo. Disponível em: bibliotecatede.uninove.br

SÃO PAULO (Município). Secretaria Municipal de Educação. Coordenadoria Pedagógica. Currículo da Cidade: Educação Infantil. 2. ed. São Paulo: SME/COPED, 2022.

terça-feira, 12 de maio de 2026

Série Winnicott · Episódio 1


Winnicott: o médico que mudou a forma de olhar para bebês

Infância · Desenvolvimento emocional · Cuidado · Educação infantil

Você já parou para pensar por que certos bebês crescem seguros, curiosos e com facilidade para se relacionar, enquanto outros carregam ansiedades que parecem não ter origem clara? Essa pergunta moveu boa parte da vida de Donald Woods Winnicott — e suas respostas continuam moldando a forma como entendemos o desenvolvimento humano até hoje.

Quem foi Winnicott?

Winnicott nasceu em 1896, em Plymouth, na Inglaterra, e viveu até 1971. Formou-se em medicina e, ao longo da sua carreira, dedicou décadas a observar bebês, crianças e suas famílias. Não era um teórico de gabinete: era um clínico comprometido com a realidade.

1896
Nascimento em Plymouth, Inglaterra
60 mil
Consultas pediátricas ao longo da carreira
75 anos
Vida dedicada à infância e ao desenvolvimento humano

Ficava horas observando mães e bebês interagirem, anotando o que via, ouvindo as preocupações das famílias. Essa proximidade com a realidade foi o que tornou seu pensamento ao mesmo tempo profundo e surpreendentemente próximo do cotidiano.

💡 O diferencial de Winnicott: Sua convicção de que o desenvolvimento emocional e o desenvolvimento físico são inseparáveis — e de que os primeiros meses de vida são decisivos para a formação da personalidade, da criatividade e da capacidade de se relacionar.

A ideia que mudou tudo

"Um bebê não nasce como um ser humano pronto: ele se torna humano a partir da qualidade dos cuidados que recebe."

Donald Woods Winnicott

Essa ideia, hoje amplamente aceita na psicologia e na pedagogia, foi revolucionária para a época. Winnicott deslocou o olhar do bebê como organismo biológico para o bebê como ser em relação — alguém que se constitui no encontro com o outro que cuida.

🧠

Desenvolvimento emocional

Não é separado do físico. Corpo e mente se desenvolvem juntos, desde os primeiros dias de vida.

🤱

O papel do cuidador

A qualidade dos cuidados recebidos determina como o bebê se torna humano — não apenas sobrevive, mas se constitui como sujeito.

🌱

Primeiros meses de vida

São decisivos para a formação da personalidade, da criatividade e da capacidade de se relacionar ao longo da vida.

🔄

Visão integrada

Nunca separa corpo da mente, nem cuidado da educação. Uma visão que a pedagogia contemporânea abraçou.

Por que Winnicott importa hoje?

Porque vivemos um momento em que cada vez mais bebês passam longas horas em creches desde os primeiros meses de vida. Esse é um fenômeno social sem precedentes históricos.

📍 Contexto brasileiro: Só na cidade de São Paulo, a Rede Municipal de Educação oferta atendimento de dez horas diárias para bebês a partir do nascimento. Educadores, gestores e famílias precisam entender o que se passa internamente nesses pequenos seres — para que o ambiente escolar possa apoiar, e não prejudicar, o seu desenvolvimento.

A teoria do amadurecimento, como ficou conhecida a obra central de Winnicott, não é um manual de técnicas. É uma forma de olhar. Ela propõe que o desenvolvimento humano ocorre em fases que dependem de um ambiente suficientemente bom para que o bebê possa crescer com saúde psíquica, física e emocional.

Essa visão integrada — que nunca separa o corpo da mente, o cuidado da educação — é o que torna o pensamento winnicottiano tão necessário para quem trabalha ou convive com bebês e crianças pequenas.

Fonseca & Vercelli (2026)

Winnicott no Brasil

Sua obra é extensa, escrita em artigos, conferências e palestras ao longo de décadas — o que torna seu pensamento um mosaico rico, mas nem sempre fácil de acessar.

Difusão inicial

Pesquisadores como Elza Oliveira Dias e Alexandre Patricio de Almeida ajudaram a organizar e difundir os conceitos winnicottianos no Brasil, tornando-os acessíveis à academia e aos profissionais da educação.

Conexão com a prática pedagógica — 2026

A obra publicada pelas pesquisadoras Leides Daiana Freitas Fonseca e Ligia de Carvalho Abões Vercelli conectou essa teoria diretamente à prática pedagógica com bebês nos Centros de Educação Infantil — base desta série de textos.

📚 Sobre esta série: Cada texto traz um conceito central da teoria do amadurecimento, pensa junto sobre como ele aparece no dia a dia e sugere um novo olhar para situações que muitas vezes passam despercebidas na creche, na sala de aula e no lar.

Para quem é este espaço?

"Winnicott não escreveu para especialistas. Ele escreveu para quem cuida. E cuidar, como ele nos ensinou, começa por compreender."

Profª. Leides
👩‍🏫

Professoras de bebês

Que buscam compreender o que se passa internamente nas crianças sob seus cuidados.

🎓

Estudantes de Pedagogia

Que precisam articular teoria e prática no trabalho com a primeira infância.

🏫

Coordenadoras pedagógicas

Que formam equipes e orientam práticas nos Centros de Educação Infantil.

👨‍👩‍👧

Pais e famílias

Curiosos sobre como a vida emocional começa e como o cuidado molda quem somos.

Entender o que um bebê precisa é, no fundo, entender o que todo ser humano em formação precisa: presença, consistência e cuidado suficientemente bom.


Referência:
FONSECA, Leides Daiana Freitas; VERCELLI, Ligia de Carvalho Abões. A teoria do amadurecimento de Donald Winnicott e suas implicações na prática pedagógica com bebês. São Carlos: Pedro & João Editores, 2026.

🌿 Série Winnicott

Este texto faz parte de uma série de reflexões sobre infância, desenvolvimento emocional, cuidado e educação infantil. Acompanhe também em outros formatos:

segunda-feira, 11 de maio de 2026

Winnicott: o médico que mudou a forma de olhar para bebês

 

Você já parou para pensar por que certos bebês crescem seguros, curiosos e com facilidade para se relacionar, enquanto outros carregam ansiedades que parecem não ter origem clara? Essa pergunta moveu boa parte da vida de Donald Woods Winnicott, um pediatra e psicanalista inglês que dedicou décadas a observar bebês, crianças e suas famílias — e cujas descobertas continuam moldando a forma como entendemos o desenvolvimento humano até hoje.

Winnicott nasceu em 1896, em Plymouth, na Inglaterra, e viveu até 1971. Formou-se em medicina e, ao longo da sua carreira, atendeu mais de sessenta mil consultas pediátricas. Não era um teórico de gabinete: era um clínico que ficava horas observando mães e bebês interagirem, anotando o que via, ouvindo as preocupações das famílias. Essa proximidade com a realidade foi o que tornou seu pensamento ao mesmo tempo profundo e surpreendentemente próximo do cotidiano.

O que diferenciou Winnicott dos seus contemporâneos foi a sua convicção de que o desenvolvimento emocional e o desenvolvimento físico são inseparáveis — e de que os primeiros meses de vida são decisivos para a formação da personalidade, da criatividade e da capacidade de se relacionar. Para ele, um bebê não nasce como um ser humano pronto: ele se torna humano a partir da qualidade dos cuidados que recebe. Essa ideia, hoje amplamente aceita na psicologia e na pedagogia, foi revolucionária para a época.

Sua obra é extensa, escrita em artigos, conferências e palestras ao longo de décadas, o que torna seu pensamento um mosaico rico, mas nem sempre fácil de acessar. No Brasil, pesquisadoras como Elza Oliveira Dias e Alexandre Patricio de Almeida ajudaram a organizar e difundir seus conceitos. Mais recentemente, a obra publicada em 2026 pelas pesquisadoras Leides Daiana Freitas Fonseca e Ligia de Carvalho Abões Vercelli conectou essa teoria diretamente à prática pedagógica com bebês nos Centros de Educação Infantil — e é a partir dessa pesquisa que esta série de textos foi construída.

Por que Winnicott importa hoje? Porque vivemos um momento em que cada vez mais bebês passam longas horas em creches desde os primeiros meses de vida. Só na cidade de São Paulo, a Rede Municipal de Educação oferta atendimento de dez horas diárias para bebês a partir do nascimento. Esse é um fenômeno social sem precedentes históricos, e ele exige que educadores, gestores e famílias entendam o que se passa internamente nesses pequenos seres — para que o ambiente escolar possa apoiar, e não prejudicar, o seu desenvolvimento.

A teoria do amadurecimento, como ficou conhecida a obra central de Winnicott, não é um manual de técnicas. É uma forma de olhar. Ela propõe que o desenvolvimento humano ocorre em fases, que dependem de um ambiente suficientemente bom para que o bebê possa crescer com saúde psíquica, física e emocional. Essa visão integrada — que nunca separa o corpo da mente, o cuidado da educação — é o que torna o pensamento winnicottiano tão necessário para quem trabalha ou convive com bebês e crianças pequenas.

Ao longo desta série, vamos explorar os principais conceitos dessa teoria de forma acessível e conectada à realidade da sala de aula, da creche e do lar. Cada texto traz um conceito central, pensa junto com você sobre como ele aparece no dia a dia, e sugere um novo olhar para situações que muitas vezes passam despercebidas. Porque entender o que um bebê precisa é, no fundo, entender o que todo ser humano em formação precisa: presença, consistência e cuidado suficientemente bom.

Se você é professora de bebês, coordenadora pedagógica, mãe, pai, estudante de Pedagogia ou simplesmente alguém curioso sobre como a vida emocional começa — este espaço é para você. Winnicott não escreveu para especialistas. Ele escreveu para quem cuida. E cuidar, como ele nos ensinou, começa por compreender.

 Referência:

 FONSECA Leides Daiana Freitas, VERCELLI, Ligia de Carvalho Abões. A teoria do amadurecimento de Donald Winnicott e suas implicações na prática pedagógica com bebês. São Carlos: Pedro & João Editores, 2026.

Este texto faz parte da Série Winnicott, um espaço de reflexão sobre infância, desenvolvimento emocional, cuidado e educação infantil.

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sexta-feira, 8 de maio de 2026

Bem-vindos ao Profª Leides

Este espaço nasce do desejo de compartilhar experiências, reflexões, estudos e diálogos construídos ao longo da minha trajetória na Educação.

Sou professora, supervisora escolar e mestra em Gestão e Práticas Educacionais. Minha atuação está voltada à formação docente, alfabetização, desenvolvimento infantil, gestão pedagógica e educação pública.

Ao longo dos anos, compreendi que a escola é um espaço complexo, humano e profundamente atravessado por desafios cotidianos que exigem estudo, escuta, sensibilidade e compromisso com práticas pedagógicas significativas.

O Profª Leides foi criado como um espaço de troca e construção coletiva. Aqui pretendo compartilhar reflexões sobre práticas pedagógicas, formação continuada, políticas educacionais, cotidiano escolar, desenvolvimento infantil, avaliação, alfabetização e os muitos temas que atravessam o trabalho de professores, gestores e estudantes da área da Educação.

Mais do que respostas prontas, acredito na importância do diálogo, da formação permanente e da construção crítica do conhecimento.

Seja bem-vindo(a).

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